Seu filho já sofreu — ou vem sofrendo — bullying na escola?
Essa não é uma realidade isolada. Segundo dados recentes da UNESCO, cerca de 1 em cada 3 estudantes no mundo já sofreu bullying. No Brasil, pesquisas do IBGE indicam que uma parcela significativa de adolescentes relata episódios frequentes de humilhação, exclusão ou agressão no ambiente escolar.
Muito se fala sobre prevenção. Campanhas existem. Protocolos são criados.
Mas, na prática, o bullying continua acontecendo — e, muitas vezes, sem uma intervenção realmente eficaz.
Os efeitos profundos
O bullying atinge diretamente a autoestima, a construção da identidade e o senso de pertencimento da criança e do adolescente. Como psicanalista clínica, atendo adultos e observo um padrão recorrente: grande parte dos conflitos atuais tem raízes em experiências de rejeição, ridicularização e inferioridade vividas na infância.
Essas marcas não desaparecem com o tempo.
Elas apenas se reorganizam — e reaparecem na vida adulta.
O impacto nas mães
Mas existe um ponto que raramente entra na discussão:
o impacto nas mães.
Mães que dedicaram anos ao cuidado, à proteção e ao desenvolvimento dos filhos e que, muitas vezes, quando começam a retomar sua própria vida, são convocadas novamente — agora para lidar com uma dor que não é visível, mas profundamente destrutiva.
Porque, na prática, quando algo acontece com uma criança, a responsabilidade recai sobre a mãe.
E quando o mundo falha em proteger — a escola, o sistema, as relações — é ela quem precisa sustentar.
Independentemente de ser uma escola pública ou particular, de alto ou baixo padrão, o bullying atravessa todos os contextos.
E o cenário atual agrava ainda mais essa realidade.
Vivemos um tempo em que crianças e adolescentes estão expostos — e reproduzindo — comportamentos cada vez mais disfuncionais. Casos recentes de violência entre jovens, amplificados pelas redes sociais, mostram que não se trata apenas de um problema escolar, mas de um fenômeno social mais amplo.
Quem cuida de quem cuida?
Diante disso, uma pergunta se impõe:
quem cuida de quem cuida?
Cuidar das mães não é um luxo.
É uma necessidade.
Construir uma rede de apoio, fortalecer emocionalmente essa mulher e oferecer espaço para que ela também seja acolhida são caminhos fundamentais para que ela consiga sustentar o filho nesse processo.
O enfrentamento do bullying não é leve.
Mas pode ser vivido de forma mais estruturada quando a mãe está emocionalmente inteira.
Porque, no fim, não se trata apenas de proteger uma criança.
Trata-se de sustentar alguém que ainda está aprendendo a existir no mundo.
E, nesse cenário cada vez mais complexo, talvez o papel mais urgente seja esse:
ajudar mães a terem força para enfrentar o que precisa ser enfrentado — em nome dos seus filhos.